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ARQUIVO MALDITO



No quinto episódio do Arquivo Maldito, as arquivistas voltam no tempo para investigar as origens das tão temidas e queridas Bruxas. Subam em suas vassouras e venham conosco!

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Referências:
NEWMAN, Kim. Nightmare Movies: Horror on Scren Since 1960. Bloomsbury. 2011.
ROCHA, Laila L; BELARMINDO, Larissa; PESANHA, Luciane. Bruxa: Uma Construção Histórica da Mulher que Conhece o Próprio Corpo. In: 4º Seminário Internacional de Educação e Sexualidade. Vitória -ES, 2016.
SOUZA, Laura de Mello e. A Feitiçaria na Europa Moderna. Série Princípios. Ática. São Paulo, 1987.
Vídeos:
In Praise of Shadows - Witches in Horror Movies: https://youtu.be/irNsQLhwbpw
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Obrigada a todos os espécimes do homus nerdus punheteirus, por me fazerem contrapor dois filmes protagonizados por mulheres. Sério, estou muito grata.

1.      Uma Emancipação Incômoda:

Aves de Rapina foi lançado em fevereiro de 2020 já causando muito alvoroço, boa parte porque o público masculino caiu matando no discurso explicitamente feminista da produção. Com o passar dos meses, por conta do meu vício masoquista em ler comentários nas redes sociais passei a perceber que sempre que aparecia uma postagem aleatória sobre o filme estrelando Arlequina e companhia, havia um conjunto de “nerdes” falando que o filme era uma bosta feminista lacradora e que Alita: Anjo de Combate se saía muito melhor, como se fosse possível uma comparação justa entre ambos os filmes.

Isso me fez questionar: por que os alguns homens gostaram tanto de Alita e odiaram Aves de Rapina? É bastante curioso porque eu não me lembro da personagem de Margot Robbie ter despertado tamanha aversão quando apareceu em Esquadrão Suicida, na verdade muita gente concordava que ela era um dos pontos altos do filme.  Entre um filme e outro alguma coisa mudou, mas o que?

2.      A Protagonista Ideal dos Homens:

Percorrendo sites de crítica cinematográfica, não é preciso ir muito longe para ver a defesa quase unânime de Alita por parte do público masculino.  Alita é fofa, adorável, badass, bonita e tem cintura fina. Alita nunca reclama, Alita gosta dos homens ao seu redor, Alita não é desagradável, nunca parece ter vontade própria ou se expressar de forma que vá contra a vontade dos personagens masculinos. Ela literalmente se dá a eles.

Aposto que esse cara nem sequer leu o texto da Cohen, só viu e título e criticou.



Bom, o problema não é só a armadura da Alita.


Tem tanta coisa errada nesse comentário que eu nem vou pontuar, mas já dá pra ter uma noção do tipo de cara que gosta da Alita.

Sendo dirigido pelo fetichista cheio de estilo Robert Rodriguez, que não é um modelo de diretor cuidadoso quando se trata de boa representação feminina, o filme só faz repetir seus vícios ao retratar mulheres (um exemplo é a cena totalmente gratuita da personagem de Jennifer Connely aparecendo de lingerie, mesmo Alita tendo baixa classificação indicativa).

Por que a gente precisava ver essa personagem de cinta-liga?

Alita é a Nancy Callahan de Sin City, uma linda jovem (quase que acidentalmente sexy) meio ingênua, mas que sabe chutar umas bundas quando precisa. E os nerdes adoram esse tipo. Não é à toa que muitas críticas feministas não saíram adulando o filme produzido por James Cameron (envolto na polêmica “mais feminista do que eu, Patty Jenkins?”) como os homens fizeram, uma crítica boa do filme é a de Anne Cohen. A única coisa que salva esse protótipo de filme de ação é o talento e o carisma de Rosa Salazar.

Alita é o protótipo vivo do "Nasci sexy ontem"

Talvez seja tudo por pura birra, se as “feminazis da lacrosfera” odiaram eu tenho que amar, se elas amam então eu preciso odiar.
Assim como a Arlequina de Esquadrão Suicida (badass, mas sexy e maluquinha), Alita é a mulher heroína idealizada. Seja forte e determinada, mas não a ponto de incomodar os homens à sua volta.  Enquanto Arlequina era uma bonequinha, todos a amavam, mas quando essa bonequinha saiu andando por aí com suas próprias pernas e levantando sua voz, deixou de ser a queridinha deles.

3.      Baby, Se Eu Tivesse Que Escolher, Seria a Arlequina:

Talvez eu só queira ver o circo pegar fogo...

Mesmo tendo meus problemas com o cinema da DC (principalmente pela influência do Snyderverso), as últimas produções da Warner tem sido bastante satisfatórias. Navegando por estilos e gêneros diversos, parece que finalmente a produtora está encontrando seu caminho. Então, quando Aves de Rapina foi anunciado eu criei uma certa expectativa, que só foi reforçada ao saber que a crítica especializada teceu vários elogios à produção.

Não é que seja um filme perfeito (nem mesmo Alita é), mas ele sabe usar bem seus pontos fortes. A direção de Cathy Ian é estilosa e traz um ar refrescante às produções de quadrinhos atuais.

Aves de Rapina tem ritmo, boas personagens, excelentes cenas de ação, uma trilha sonora que é bem mais do que decorativa, vilões bacanas e tiradas de humor que funcionam sempre (sim Deadpool, essa foi pra você). De todas as produções recentes da Warner/DC é a minha favorita, não só por ser uma boa comédia de ação, mas por ter um discurso claro e objetivo que vai durar.

Dando uma rasteira nos machistas!

Aves de Rapina é um filme feito por mulheres e denuncia situações comuns a todas elas, mesmo que o universo da película seja fantástico. Machismo no ambiente trabalho, etarismo, sexualização, abuso sexual e tomada de consciência de suas capacidades são alguns dos pontos levantados por ele.

Se você é homem provavelmente não sabe como é sentir tudo isso, mas se você consegue empatizar com um príncipe aquático buscando uma reconexão com Atlântida, você é capaz de simpatizar com mulheres buscando libertação, algo muito mais crível. Se você não consegue, provavelmente é porque não quer, se você não quer é porque muito provavelmente você prefere mulheres que estejam num filme para serem suas namoradas imaginárias e não para denunciarem seus comportamentos sexistas (ou de seus conhecidos).

Homens preferem ver uma Alita porque isso é confortável, mas a Arlequina e as Aves de Rapina cutucam demais a ferida e vão na contramão do que eles esperam ver quando se trata de mulher. Uma coisa eu posso garantir: Alita será esquecida com seu tom aguado, mas a Emancipação Fantabulosa ainda trará muita discussão. Nada mais justo, já que elas são bem mais corajosas.


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No terceiro episódio do Arquivo Maldito, as Arquivistas abordam o Horror Corporal Feminino. Se você já assistiu filmes como Garota Infernal e Raw, fiquem à vontade para nos ouvir e saber mais sobre o subgênero mais grotesco e visceral do terror.

Links para o episódio:

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Antes do Halloween de John Carpenter ser lançado em 1978, a indústria cinematográfica canadense já havia produzido seu próprio slasher com temática de feriado, o natalino Black Christmas de 1974. O filme entitulado aqui como Natal Negro ou Natal Sangrento gerou uma série de continuações diretas e indiretas e mais recentemente ganhou um remake pela Blumhouse, lançado no final de 2019, chegando por aqui em 2020.

O longa dirigido por Sophia Takal (que comandou o segmento de ano-novo "New Year, New Me" da série antológica Into the Dark), e também co-escrito por ela, não recebeu muita atenção no ano passado, mas o seu original não é exatamente uma grande estrela entre os slashers mundo afora.
Não sendo fã do original ou mesmo do remake anterior de 2006, eu pude assistir este novo sem apego saudosista algum e logo nas primeiras cenas ele me cativou.

Filmes em geral podem optar por serem discretos com suas analogias ou explícitos, a escolha de Takal é partir direto pro ataque. No filme, jovens mulheres estudantes do campus da universidade milenar Hawthorne College passam a ser mortas por um assassino que usa a alcunha do fundador da instituição para se esconder.


Sem muita sutileza (e isso não é necessariamente algo ruim) a diretora quer denunciar o machismo imbricado em instituições de ensino e na sociedade como um todo. Na primeira cena do filme temos uma moça andando sozinha à noite, ela suspeita que está sendo seguida e pega as chaves de casa segurando-as como um soco inglês improvisado (algo feito cotidianamente por muitas mulheres), o clima é agoniante por ser familiar e sem desperdiçar tempo narrativo ela nos mostra que tem plena consciência de que mensagem seu filme quer transmitir.

O filme todo se passa em um campus universitário e uma googlada básica nos permite saber que o nível de estupros e assédios contra mulheres nesses espaços é praticamente uma epidemia, caso queiram saber mais recomendo este texto da Vice. Sophia Takal usa esse ambiente, agressivo contra as mulheres por si só, como pano de fundo para sua trama.


As protagonistas da produção tem suas lutas pessoais contra o patriarcado institucional, Riley (Imogen Potts) foi estuprada por um membro da fraternidade de boys lixo da universidade, comandada pelo professor Gelson (Cary Elwes), enfrentando ele mesmo acusações e uma petição para sua retirada do cargo da aluna e amiga de Riley, Jesse (Aleyse Shannon). As jovens não são do tipo que dá descanso para discursos preconceituosos de nenhuma forma (o que pode soar panfletário no início, mas ao longo da narrativa se ajusta) e isso as torna alvos dos homens da universidade, exceto pelo jovem Landon (Caleb Eberhardt) que ganha certa simpatia do grupo.

Entrando na linha dos spoilers agora (se você não quer saber nada, assista o filme e depois leia o texto), o trecho final da produção que passa do real para o sobrenatural pode desagradar quem esperava algo mais pé no chão e eu compreendo a resistência, mas isso é mero detalhe. 

Riley e suas amigas acabam descobrindo que o busto de pedra de Hawthorne, o fundador da universidade (e suprassumo dos piores preconceitos da humanidade), possui qualidades mágicas capazes de transformar rapazes em machistinhas ferrenhos com sede de sangue feminino (ok, mais machistinhas). Depois de algumas mortes e revelações, o único homem inocente e que permanece ao lado das nossas heroínas é Landon (note que ele também é o único homem negro presente na produção, ao passo que todos os vilões são brancos e isso não está ali por acaso).

O fato de que não existe apenas um assassino também cria um ar maior de perigo, porque nos passa a sensação de que poderia ser qualquer homem, não devemos confiar em nenhum deles. Exatamente o que vítimas de abuso sentem sobre os agressores.

Ver a protagonista se empoderar depois da terrível violência que sofreu é tremendamente libertador para as mulheres que já passaram por situações semelhantes.

Há ainda quem ache o filme meio bobo e tudo bem, eu nunca disse que ele é perfeito. Alguns pontos podiam ser melhor trabalhados, mas isso não deixa ele menos divertido. É sempre bom ver homens imbecis se dando mal e morrendo pela mão de mulheres.



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