“O Tick” e o Nosso Amor Por Super-Heróis
Estreou no serviço de streaming da Amazon no ano passado a série de comédia The Tick (ou O Tick em português), remake de uma sitcom de mesmo nome dos anos 2000, que por sua vez adaptava os quadrinhos. Discreta, não foi alvo de muita atenção o que é uma tremenda pena.
A série é uma sátira/homenagem ao universo dos super-heróis, muito engraçada e divertida que merecia mais holofote dos fãs de quadrinhos.
No universo de O Tick, os supers já são elementos do cotidiano se incorporando a vida social como é possível. O mais notável deles é o Superian, um alienígena humanoide que se responsabilizou em proteger a Terra (oi, Superman?), e é um verdadeiro ícone mundial.
Seu arqui-inimigo é O Terror (Jacky Early Hailey, sempre excelente), vilão megalomaníaco super malvado e cheio de planos mirabolantes. Numa das tentativas do sujeito de acabar com a equipe de heróis "Os Super 5", ele ataca a nave deles que acaba caindo em cima de um homem comum, um transeunte qualquer.
A questão é que esse homem estava com o filho em uma sorveteria. Artur, a criança testemunha o evento e cria um ódio mortal ao Terror. Eventualmente, o Superian mata o Terror em uma luta e durante anos ninguém ouve falar no vilão.
Artur (Griffin Newman) já um adulto, cheio de complexos, ainda não se convenceu da morte do Terror e continua investigando as atividades obscuras da cidade. Especialmente a gangue do Ramsés, que tem como aliada a antiga braço direito do Terror, a Dona Poeira (Yara Martinez, uma das melhores coisas da série). A vilã tem pulseiras de energia ligadas ao seu sistema nervoso que a deixam perigosa e também magnética para partículas de pó, vem daí o seu nome.
Numa vigilância noturna, Artur encontra um sujeito vestido de azul e superpoderoso que se chama de O Tick (Peter Serafinowicz, irritantemente adorável ou adoravelmente irritante). O Tick é um herói das antigas, totalmente virtuoso e moral, numa linha bastante maniqueísta, diga-se de passagem.
Cheio de discursos e ênfases heroicas, o Tick ajuda Artur em sua tocaia e ataca a gangue de Ramsés pegando um traje tecnológico que os vilões queriam e matando muita gente numa explosão acidental. Artur vê tudo, mas duvida da própria sanidade.
Dot, a irmã de Artur é socorrista e ela mesma tem seus contatos com o submundo, curando os lacaios feridos dos chefões do crime. Ela se preocupa muito com o irmão e seu possível delírio com um super-herói azul. No fim, ela descobre que o Tick é bem real e que seu irmão está com problemas sérios e ela resolve ajuda-lo.
A série se apoia bem na relação entre Artur e o Tick, na amizade meiga que desenvolvem e como isso é importante para os dois. Os atores estão muito bem juntos e é fácil gostar deles logo de cara. Através do Tick, Artur vai encontrar espaço para superar os seus medos e traumas e ser tornar ele mesmo, um herói.
A medida em que a história se desenrola mais personagens são incluídos: o Escracho (Scott Speiser) um misto de Batman com Justiceiro, com Homem de Ferro, seu companheiro de inteligência artificial Navigator, muito sarcástico e totalmente apaixonado por Artur. Norman, o padrasto excêntrico de Artur que talvez seja mais interessante do que o esperado. E temos até um cachorro herói aposentado, autor de um livro de memórias meio autoajuda. Cada personagem é uma homenagem ao universo de quadrinhos da Era de Ouro e Prata dos heróis.
Os efeitos especiais estão bons e o elenco é um primor. É aquele tipo de show pra maratonar e ficar querendo mais (o trailer da segunda temporada saiu há algumas semanas e está perfeito). É impossível não gostar dos personagens, heróis ou vilões. Se uma palavra definisse essa série, seria adorável.
No fim, O Tick resgata uma inocência esquecida para as produções de supers dos últimos anos, nos lembrando porque gostamos tanto de ver sujeitos em roupas extravagantes que se importam com as vidas de pessoas que sequer conhecem. Mesmo nós tendo boas produções audiovisuais de quadrinhos a cada ano, fazia muito tempo que eu não sorria ao assistir uma e me orgulhava tanto de ser uma leitora de HQ’s. Que venha a segunda temporada!



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