A Maldição Da Freira (Devil's Doorway) e o Pecado Dos Homens De Fé

by - abril 19, 2019



O subgênero found footage ainda que saturado, pode reservar boas surpresas ou ao menos alguns filmes competentes, basta ir sem muita expectativa e conhecendo os maneirismos do estilo. De vez em quando uma produção consegue se sobressair e fazer algo decente.

A Maldição da Freira é um filme deste ano (lançado em 2018, só chegou no Brasil em 2019), dirigido pela irlandesa Aisllin Clarke, que tem experiência com curtas de terror e a usa para fazer um bom found footage.

No ano de 1960 dois padres são enviados pelo Vaticano para avaliar um possível milagre num lar de “mulheres perdidas” (órfãs, doentes mentais, grávidas solteiras e tudo que fosse considerado fora do normal na época) na Irlanda. O padre mais velho, Thomas (Lalor Roddy, meigo e bom), é cético sobre o suposto milagre de uma santa que chora sangue. Seu assistente, padre John (Ciaran Fllyn, o mais fraco no elenco) é o responsável por registrar a pesquisa e é mais crente na verdade por trás do evento. O lar é administrado pela Madre Superiora Agnes (Helena Bereen, assustadora e ótima), com mão de ferro e impiedosa, ela parece ser o verdadeiro mal que reina no lar.


Conforme os dias se passam, os padres descobrem os segredos perturbadores e sujos do lugar, que incluem uma jovem (Lauren Coe) presa num porão sob uma provável possessão demoníaca e a ligação das jovens do lugar com indiscrições de padres. Isso foi o que chamou mais minha atenção na obra.

Clarke escreveu uma história que funciona também como um drama de denúncia da Igreja Católica e suas práticas misóginas. Tudo isso encarnado na figura da Madre Superiora, em suas falas, a mulher deixa claro que o lugar que cuida nem deveria existir se não fossem os pecados dos homens da Igreja. As moças que vão até lá, grávidas e expulsas de casa, se “perderam” por padres católicos e foram deixadas à própria sorte. As crianças mortas, abandonadas ou abortadas são fruto do desvio desses padres. Desvio que pesa sobre o futuro dessas mulheres e da própria Agnes.

O ponto é claro: o Mal que se infiltrou no abrigo, se originou do pecado dos homens ao usarem essas mulheres e depois joga-las para baixo do tapete. Alguém tinha que tomar uma providência enérgica, já que a fé cristã não ajudava talvez alguma outra entidade atendesse essa necessidade.


Tudo poderia ser melhor usado em outro formato, no found footage a interessante trama divide tempo com jump scares e situações de confusão com câmera tremendo, ainda que muitos sustos funcionem, eu imagino o que Clarke conseguiria ter feito num outro tipo de filme.

As imagens que ela evoca são perturbadoras o bastante para despertar interesse, o clima é pesado e sombrio. O ritmo da trama se perde um pouco no final, derretendo o foco do espectador, mas no fim das contas é um bom found footage e tem uma história importante pra contar, mesmo que não chegue a ser inesquecível.

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