
Quantas vezes a gente já não ouviu a expressão absurda de que existem dois tipos de mulher: a pra se divertir e a pra casar? E, ao mesmo tempo, isso não se aplica aos homens. Eles podem fazer e desfazer o que quiserem sem sofrer com o preconceito generalizado sobre sua conduta sexual.
Esse tipo de machismo assim como outros, é o que perpassa a obra de Mindy McGinnis. A trama acompanha Alex, Jack e Efepê, três estudantes do colegial que presenciaram de maneira direta e indireta uma tragédia na cidade que mudou a todos: uma jovem foi sequestrada, violentada e morta. A moça em questão era a irmã mais velha de Alex e a partir do dia em que encontram o corpo da menina e o culpado acaba escapando da punição, Alex decide fazer justiça sozinha.
É bem claro na obra que Alex tem algum problema relacionado à violência, sua irmã era quem, de certa forma, mantinha essa força sob controle, mas com sua morte a fera fica à solta para agir.
Jack, é o típico garoto popular e que fica com todas as meninas, mas de repente seu interesse se volta para Alex e ele decide que precisa ficar com ela. É o personagem menos interessante, mas é legal ver o ponto de vista masculino diante das mulheres e como eles se enxergam nos relacionamentos com elas.
Efepê, é a pessoa mais próxima de Alex por também ser voluntária no abrigo de animais da cidade onde a moça passa as manhãs trabalhando. As duas aos poucos desenvolvem uma grande amizade, em alguns momentos é de cortar o coração a força e a importância que elas tem uma para a outra. É Efepê quem tira Alex de seu casulo de solidão e que a ajuda a querer ser uma pessoa melhor.
O livro intercala o ponto de vista de cada um dos três personagens, o que é bem legal já que assim temos a interpretação de cada um diante dos eventos que ocorrem.
O livro todo aponta para uma tragédia eminente e para as consequências do machismo na vida cotidiana. Mulheres são agredidas, são violentadas, ignoradas e diminuídas como se isso não importasse. Alex é a manifestação furiosa de uma mulher jovem que não consegue aceitar esse tipo de coisa, ela age, ela enfrenta e é forte. Isso assusta os que estão ao seu redor, pois não é tipicamente "feminino". Obviamente, ela também tem suas perturbações internas que a levam à violência extrema, mas é difícil são simpatizar com suas atitudes.
A Revolução das Mulheres é um livro surpreendente e tenso, que indigna e acende essa chama de fúria, ajudando a nós mulheres a encontrarmos a Alex dentro de nós e parar de ignorar as violências que presenciamos.
Trecho Memorável:
"Mas 'meninos são assim mesmo', é a nossa expressão preferida e que serve de desculpa para tanta coisa, ao passo que para falar do gênero oposto, só dizemos 'mulheres...', com um tom de desdém e acompanhado de um revirar de olhos"