Para inaugurar a nova fase do Arquivo Maldito (antigo Arte Maldita) nós, as Arquivistas, faremos uma série de posts e episódios de podcast com o tema Terror Mundi: O Terror Pelo Mundo, no qual abordaremos alguns países ao redor do globo com suas produções dentro do gênero de terror, fazendo um histórico breve do país e de sua produção cinematográfica.
Começando o Terror Mundi, escolhemos o México como o primeiro território a ser estudado, visto que o país tem se sobressaído bastante no terror nos últimos anos e merece ser mais conhecido.
O Cinema de Terror no México: Um Breve Histórico
Segundo o artigo “La Hora Del Espanto: El Cine De Horror Mexicano” as produções mexicanas de terror optaram por enfoques mais humorísticos em seus primórdios, lá pela década de 1930. Mesmo que existissem filmes mais “sérios” sendo produzidos, essa mescla de humor e terror vai ser uma das principais expressões do hibridismo mexicano ao trabalhar com o cinema de terror. Outros gêneros que se misturam ao terror nas telas mexicanas com frequência são a fantasia (com lendas e tradições locais) e a ficção científica.
Esse mix de gêneros, como uma característica particular do terror mexicano, também é afirmado no artigo de Abigail Camarillo “Leyendas, Vampiros Y Luchadores: Radiografía De La Literatura Y El Cine De Terror En México”, onde Camarillo traça uma breve história das produções de terror mexicanas nas telas e fora delas.
Nas décadas de 1930 e 1940 a filmografia mexicana de terror era marcada pela forte influência do expressionismo alemão e das obras de monstros da Universal Pictures, mesmo assim a cultura local foi o enfoque do primeiro filme de terror mexicano a ser feito: “La Llorona” de 1933. Os filmes de terror mexicanos costumam tratar de muitas lendas e costumes locais em suas tramas, o que encantou o resto do mundo.
Já as décadas de 1940 e 1950 são lembradas por misturarem o terror com outro entretenimento popular no México: as lutas de ringue com homens mascarados. A união dessas duas fontes de diversão foi necessária para reavivar o cinema, que perdia espaço como indústria para a televisão naquele contexto. Assim o expõe a autora Silvana Flores em seu artigo “Entre Monstruos, Leyendas Ancestrales Y Luchadores Populares: La Inserción Del Santo En El Cine Fantástico Mexicano”:
“Ao contrário do cinema de Hollywood, que possuía tecnologia suficiente para cativar espectadores com as maravilhas do Cinemascope ou das primeiras experimentações com o cinema 3D, na América Latina foi preciso se adequar a orçamentos mais apertados e, portanto, foi necessário buscar outras estratégias para atrair o público em geral.” (Tradução pessoal).
O novo subgênero “terror e lutadores” (que sempre vinha acompanhado de vampiros, lobisomens e múmias astecas) se tornou um verdadeiro sucesso local e mundial, sendo chamado por estudiosos de cinema de “mexplotation” por conta de suas características exageradas, o baixo orçamento e as altas doses de sangue, violência e, ocasionalmente, de sexualidade.
Na década seguinte, alguns diretores vão ressuscitar o cinema mais “autoral” de terror, com filmes que focam no terror psicológico e fantasmagórico, o mais proeminente diretor dessa época foi Carlos Enrique Taboada, que entregou obras como “Hasta el Viento Tiene Miedo” (1967), “El Libro de Pedra” (1968) e “Veneno Para Las Hadas” (1984), que influenciaram outros diretores mexicanos e estrangeiros por sua originalidade e qualidade.
A partir dos anos 1990, começa o chamado “Novo Cinema Mexicano”, cujas produções dramáticas recebem mais atenção do que o terror, o exemplar mais notório do gênero da década é Cronos, do hoje oscarizado Guillermo Del Toro, que trata do tema de vampirismo com a marca de fantasia típica do país.
Atualmente, o cinema de terror mexicano tem se mostrado cada vez mais aclamado e continua sua jornada bem sucedida de unir terror, fantasia, ficção científica e questões sociais. Os exemplares mais recentes desse momento são “Vuelven” (2017) de Issa Lopez, “Somos Lo Que Hay” (2010) de Jorge Michel e “La Région Salvaje” (2016) de Amat Escalante. Viva el México!
Referências:
BRODERSEN, Diego. O Cinema Latino-Americano Conhece O Medo. Disponível em: <https://www.goethe.de/ins/br/pt/kul/fok/ags/21679648.html >
CAMARILLO, Abigail. Leyendas, Vampiros Y Luchadores: Radiografía De La Literatura Y El Cine De Terror En México. Disponível em: <https://animal.mx/entretenimiento/literatura-cine-terror-mexico/>
FLORES, Silvana. Entre Monstruos, Leyendas Ancestrales Y Luchadores Populares: La Inserción Del Santo En El Cine Fantástico Mexicano. Universidad de Buenos Aires. CONICET.
La Hora Del Espanto. El Cine De Horror Mexicano. Disponível em: < http://www.wikimexico.com/articulo/la-hora-del-espanto-el-cine-de-horror-mexicano>
Confira abaixo 12 recomendações de filmes de terror mexicanos para conhecer e se divertir: