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ARQUIVO MALDITO
   


Já faz três anos desde que eu descobri os mangás de Junji Ito. Aquele longínquo 2015... Eu não podia imaginar que estava prestes a me deparar com uma obra de arte no horror: Uzumaki ou As Espirais do Terror é o mangá mais famoso do autor, virou até um filme. Não é por pouco, afinal é uma das melhores coisas já feitas no quesito terror/horror na história humana (falo com tranquilidade).

Junji Ito e seu gatIto (desculpe o trocadilho).

É difícil falar sobre o que Junji Ito faz, quais são os mecanismos que ele usa para despertar em nós uma vastidão de sensações: medo, asco, desespero, náusea e encanto. É um turbilhão de emoções que nos atingem em cada quadro, cada desenho e frase. Uma experiência de arte autêntica e rica.


Horror Corporal de Qualidade

A obra do japonês é extensa e já li bastante coisa dele pra poder afirmar que no terror moderno, Ito é rei. Ele sabe combinar seus lindos desenhos e seu texto na medida certa, ele sabe para quê escreve: para atormentar.

A editora Darkside recentemente lançou uma coletânea de Ito, a Fragmentos do Horror, não tem as melhores tramas já feitas pelo autor, mas é maravilhosa assim mesmo.

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Fragmentos do Horror (Ma No Kakera)

Ler Ito é aceitar viver num pesadelo lindo, você ficará perdido, assustado e acuado como nunca na vida, e vai voltar por mais. É assim mesmo, ele te toma completamente. Toda vez que eu leio algo dele paro e penso: “nossa, eu queria ter a criatividade desse cara”.

Poucos artistas são tão versáteis e competentes na arte de aterrorizar.
     

Como aspirante a escritora de terror e desenhista de monstros, conhecer Ito é me reconhecer um pouco, me encontrar naquelas imagens aterradoras e saber que tem mais alguém aí que vive com essas coisas na cabeça.

Ito é um mestre, um professor inconsciente para mim. Eu não ganho apenas o prazer de uma leitura de qualidade com seu trabalho, ganho experiência como criadora. Junji Ito sabe o valor que os exemplos têm para os artistas, ele mesmo já declarou que outro grande escritor do gênero é seu modelo: H.P.Lovecraft, o pai do terror cósmico.

Horror Cósmico em sua mais genuína manifestação.

É bastante visível a influência lovecraftiana na obra de Ito, com as situações bizarras que acometem pessoas comuns, eventos que transcendem a capacidade de lidarmos com eles. É pessimista, mas não cínico.

Imagens Poderosas.

Junji Ito escreve e desenha um terror onírico, dramático e potente, coisa raríssima de se ver. Eu gosto de imaginar que a mente dele tem um tipo de passagem secreta, uma fenda interdimensional que permite que ele veja coisas surreais e as transfira para nós.

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As Espirais Humanas de Uzumaki.

Recomendar a leitura de Ito é pouco, se você é fã de terror já deveria ter feito isso há muito tempo, se não fez, pare o que está fazendo e vá ler! Você não terá nenhum arrependimento. Fica aqui a dica para conferir o anime Junji Ito Collection também, pode servir de introdução ao universo macabro do autor.

Junji Ito Collection.


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    Eu gosto de found footages. Alguns dos filmes de terror que mais me dão medo pertencem ao subgênero, no entanto sou a primeira a admitir que ele está totalmente saturado, cheio de produções ruins e que nada tem a acrescentar ou entreter. Tanto que mesmo apreciando, evitei filmes do tipo por algum tempo, mas recentemente o found footage (filmagem encontrada, não necessariamente um documentário) ou mockumentary (agora sim, um falso documentário) despertou meu interesse de novo, com 3 produções meio desconhecidas, que são excelentes. Vamos conhecer:

    1. Digging Up The Marrow (2015):


Dirigido por Adam Green, conhecido por encabeçar o super trash Terror no Pântano e suas sequências, o filme é um falso documentário, tendo Green interpretando a si mesmo. No filme, Green recebe o diário de um fã chamado William Decker (Ray Wise de Olhos Famintos 2, simplesmente fantástico), que afirma que monstros são reais e ele pode provar. Curioso, Green pega o seu câmera e vão conhecer o tal homem. Decker é um sujeito estranho e tudo que ele diz parece uma loucura absurda, até que a gente descobre que não é.

Green e Decker "Eu quero acreditar."

   Digging Up The Marrow é uma brincadeira/homenagem divertidíssima aos filmes de monstro, cheio de referências e que sabe assustar quando precisa. Destaco absolutamente a arte de Alex Pardee que criou os monstros do filme, é linda. O filme me pegou especialmente porque assim como o personagem de Green, eu sempre quis descobrir um mundo secreto onde monstros são reais e achar alguma magia nessa vida. Se também sente isso, esse filme vai falar com você.

Onde Vivem Os Monstros.

2. Noroi (2005):


A trama de Noroi é extremamente complexa, é preciso ter paciência em suas quase duas horas de filme, mas vale muito a pena. A produção japonesa tem direção de Koji Shiraishi (diretor de O Chamado vs. O Grito) e é possivelmente um dos filmes mais assustadores que eu já vi, nem consegui dormir pensando nele.

Uma jornada até a maldade total.

Não tem como resumir muito bem, mas a história acompanha um jornalista que investiga eventos sobrenaturais, ele desaparece junto com a família após começar a documentar um estranho caso, o que vemos no filme são suas descobertas.

Meeeedoooo!

Noroi é um pesadelo filmado, uma opressão da falsa segurança que sentimos assistindo filmes de terror, tudo desaparece diante da bizarrice filmada ali. Lembra muito as histórias de Junji Ito, então é preciso ser forte pra ver. Possivelmente é o melhor found footage que eu nunca mais vou querer assistir de novo.

Tenta esquecer esse rostinho lindo...

3. O Exército de Frankenstein (2013):


Se você curte games de tiro em primeira pessoa com tramas na 2ªGuerra e nazistas, vai gostar desse filme. Dirigido por Richard Raaphorst, a história acompanha um grupo de soldados soviéticos em uma missão secreta no leste da Alemanha, que acabam encontrando um grupo de criaturas horríveis em instalações nazistas.

Nazista Mãos de Tesoura.

A história pouco importa, o que vale muito o filme é o design dos mutantes híbridos de humanos e máquinas. Sério, eu tinha que virar a cabeça para o lado às vezes e refletir sobre o que tinha acabado de ver de tão bizarro que é. 

Cientista Louco.

O filme diverte pelo grotesco, não chega a ser genial, mas devido à escassez de produções que se preocupam em criar monstros tão legais e originais, ele se sobressai pra mim, amante de monstros que sou. Vá sem esperar muito do roteiro, prepare o estômago e aprecie a arte.


Monstros Geniais!

Trailers:

   Digging Up The Marrow


   Noroi




O Exército de Frankenstein



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